quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Sobre a Velhice....



"Em verdade, se a velhice não está incumbida das mesmas tarefas que a juventude, seguramente ela faz mais e melhor. Não são nem a força, nem a agilidade fisica, nem a rapidez que autorizam as grandes façanhas; são outras qualidades como a sabedoria, a clarividência, o discernimento. Qualidade das quais a velhice não só não está privadas, mas, ao contrario, pode muito especialmente se valer."


CÍCERO, Saber Envelhecer.


As crianças de hoje...


As crianças de hoje consomem tudo que se embrulha num belo papel laminado, cheios de lantejoulas, frio, repudio e medo... Tão felizes em suas vivencias medíocres, acreditam ora no céu, transcendente verdade, ora nos pergaminhos da ciência, eloquentes mentiras... Balbuciam sobre devaneios, hesitam em seus discursos... Curvo ante tamanha ingenuidade, e sobre tais falácias, acalmo meu regozijo. Apenas crianças... Apenas crianças. Ecoa o Super homem... Elas esquecem e se permitem tentar... Mas a sua inocência como o véu de Maia, ainda turva seus horizontes... E a realidade não as permite devanear...

As pessoas do meu cotidiano...



Quando criança eu pensava como ia ser bom finalmente crescer, via as pessoas mais velhas e achava aquilo tão sublime, elas eram tão independentes, falavam sobre coisas complicadas, eu também queria ser ouvido assim. E a medida que eu crescia ia me agregando a grupinhos, e isso por alguns instantes era entorpecedor, conversas, risos, desabafos... Era sublime. Mas como uma droga ha muito consumida seu poder se esvaia, e logo eu necessitava de outras dosagens. 
Os risos sem cores, as conversas saturadas, e os desabafos... Tudo era tão podre, me sentia enojado. Nojo de mim por estar , por tão pouco me apodrecendo em troca de um nadismo que já não me satisfazia. Agora adulto tenho um guarda roupa cheios de novos rostos, criados todos os dias, e para além do cansaço, me diverto de vez em quando. Me lembro como das vezes que me despi e mostrei a um semelhante a verdadeira face, tão desprotegido, sem pudores, doei minhas vestes a uma ilusão de risos e sonhos compartilhados, logo banidos por um outro lado enfraquecido... 
Ao amanhecer me refugio num lugar seguro e deixo vir a tona meu Eu social, forte, risonho, sensato, peço a ele algumas vezes para ver a luz do sol, que ainda deixe em mim um leve toque de humanidade, ele rir, conversa, sofre, é tão real, mas as vezes ele se cansa, e dorme, e me deixa desprotegido... Os devaneios veem, e eu não suporto, olhar cara a cara algumas verdades que a tanto custo eu escondi, desabafo comigo mesmo, e em soluços suplico que volte, amanhã é um novo dia e eu preciso sorrir, e leve daqui pra um lugar escuro meu corpo cansado, esconda meus olhos que durante seu sono se desmancharam em prantos, e não suportam seu brilho. 
Ao amanhecer tudo retorna, eu tomo meu banho, abro meu guarda roupa e ponho as minhas vestes, maquio minha feridas, escolho minha melhor mascara, e ao passar por aquelas portas eu me recolho e deixo você agir. Há quem se espante com tamanho cinismo, e talvez até nomeiem "falsidade", mas no grande palco da vida, só sobrevive quem melhor interpreta. 
Por isso devaneie...........Devaneie.....