As vezes eu fico a cá com meus devaneios e penso: Que mediocridade é a vida humana.
O tempo fluido... O corre corre estressante da vida urbana... As frívolas relações humanas, o falso gosto do beijo... O repulsivo bom humor... E quando eu paro e penso que faço parte desse infame mundo de cores quiméricas, sinto em minha garganta o gosto do regojizo. Quão medíocres somos nós, seres humanos, em busca de sonhos e desejos... O que ser isso, se não puro devaneio.
Em quê me reconforto, se até no silêncio de meus aposentos ouço os murmúrios das personas.
Ouço risos, extravagantes; ouço choros, agonizantes; ouço suplicas e maldizeres...Mas no fim concluo quão sãos, são meus devaneios...
Humanos acordai-vos...Somente sois carne e vísceras...E nos finais dos tempos nem isso serás...
O tempo a tudo te rouba... Roubará também o sopro de tua vivacidade...E verás pelas fissuras de sua vista já enuviada seus sonhos e seus delírios sem cor, sem brilho, desfalecerem juntamente a teu corpo ...
No fim, o que resta é aquilo que durante toda vida tão freneticamente fugimos, o nada, a falta de sentido, a desesperança... Quando o momento chega você finalmente entende o sentido primeiro e inevitável da vida...A morte. Porque então, tanto medo delas?


