The Piano (1990)
Quando a fitei na primeira cena, eu senti que ela queria dizer alguma coisa que minhas palavras não puderam desnudar, eram limitadas demais, sujas demais, gastas demais... Eu mesma me sinto muda, quando sufoco as iras, as incertezas, os medos, os nojos, eu me sinto muda, surda... Cega... Ela não precisou das palavras, já que seu corpo falava tão graciosamente, e minha pele em sinal de harmonia, arrepiava-se, ao ouvi-la.. Entendi seu desespero que gritava em seus olhos, olhando distante, bem mais longe do que o horizonte revelado naquele lugar à beira mar onde jaziam seus sussurros... Derretendo os olhos, o corpo trêmulo, a alma gritando quando faltaram as palavras.. As vezes adiamos a fala, sufocamos as palavras em nosso peito, comprimindo-as de nós mesmos... Emudecemos... Quando livres... Elas gritam, se antecipam, saem desorganizadas, como um gás à muito preso em um recipiente , nos esvaziamos de nós mesmos, prontos para nos preencher novamente de dores, alegrias, ilusões e amores... Lançamos as palavras gastas num profundo abismo, junto delas jazem nosso velho corpo, à procura de novas astúcias, desviantes e deficientes, de dar forma à misteriosa busca e fuga dos sentidos.
Minhas imprecisas impressões de um olhar reto que se deixou perder...

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